cavalinho

10abr12

Em meio a tanto cansaço e tanto trabalho – preparando as últimas 4 de 20 aulas da disciplina de Cultura Visual para o mais novo Curso de Superior Fotografia da cidade (trabalho dos sonhos ganha letras maiúsculas: e não é que a vida se encaminha em suas linhas tortas e lá pelas tantas encontra com a gente na esquina?), tentando dar conta e ao mesmo tempo me desvencilhar de outros compromissos cada vez mais passados, soltando lastros, desenhando minhas escolhas – eis que a louça está lavada, a roupa está secando no varal, as camas estão arrumadas e a Elis está lá, sozinha, terminando seu jantar. Eu estou cá, escrevendo, coisa que há meses não consigo fazer. O milagre da ordem.

Sim, da ordem: Elis come por etapas, eu lavo a louça em terços. Um prato cheio e variado costumava parar no chão, nos cabelos ou no lixo. Colheradas já há tempos não alcançavam o alvo, as mãos ligeiras em protesto recusavam qualquer ajuda: deixa que eu me viro sozinha! Com o tempo e depois de muita frustração, papinhas batidas no mixer e uma canseira de lascar, percebi que se deixasse só alguns parcos pedacinhos eles terminavam quase sempre na boca, então agora ela come assim, aos poucos, do mais difícil ao mais fácil: primeiro o franguinho… 5 pedacinhos, depois mais 5… depois o feijãozinho… grãozinho por grãozinho… depois o brócolis… ou a cenourinha… ou a abobrinha (que ela ama)…e por último o macarrão. Leva mais de uma hora, e se tiver arroz então… mas ela come, e eu escrevo.

Escrevo para contar como é engraçado que hoje estou me sentindo inexplicavelmente em paz e feliz a troco de nenhum grande acontecimento. Elis vai bem, isso por si só é muita paz, cada dia mais risonha e falante (e as palavras ganham mais sílabas e o meu neném vira menininha feita), depois de 10 dias de antibióticos e mais de um mês de uma crise braba de rinite que saiu do homeopata e foi parar no pronto socorro com pus no ouvido e placas na garganta. Filha sem dor, dormindo e comendo bem, precisa mais que isso?

Mas a paz a que me refiro é aquela do cavalinho no alto do carrossel, aquele que dia sobe, dia desce, então aproveito. Aproveito com a boca cheia o verbo aproveitar, porque hoje até o cabelo se ajeitou, a roupa serviu, a vaga livre na frente da escolinha me esperou na ida e na volta e o meu amor trouxe um pãozinho árabe com coalhada quando voltou do trabalho. Cavalinho bem podia ficar mais tempo aí.
:)


Sim, faz tempo que não escrevo aqui. Primeiro era a falta de tempo por causa do mestrado, e porque voltei a trabalhar. Aí acabou o mestrado, o trabalho já se acomodou no andar do caminhão de melancias e lá se foram sete meses. Além da falta de tempo, acho que o motivo principal era a falta de assunto.  (??!!) Claro que a Elis faz muitas gracinhas e está cada vez maior, falante (na língua dela) linda e saudável, graças a deus. Isso tudo já valeria mil posts, mas acho que sobretudo eu tenho estado em paz com as minhas escolhas e então a necessidade de dividi-las com o mundo, enfim, colocá-las em questão, ficou menor.

Por exemplo, uma pergunta que ainda ouço (cada vez em tom mais ameaçador) é “mas ela ainda mama no peito?”

Sim, ela ainda mama, só a noite antes de dormir, e só quando quer, se quer, e assim será até que eu ou ela não queiramos mais. Ponto.

Próxima pergunta?

“Mas e ela come carne? toma leite de vaca?”

Sim, ela come carne, de vaca, de porco, de frango, e toma leite de vaca, de soja, do que tiver. Come muitas outras coisas também, como brócolis, vagem e beterraba e tem dias que resolve que quer comer só as abobrinhas, ou só o grão de bico. Agora está entusiasmada com a possibilidade de usar a colher mas come quase tudo o que pode pegar com as mãos.

Esse assunto comer, penso, é coisa de foro íntimo, é de cada cultura, de cada casa, de cada família. Eu posso até olhar feio, pensar coisas, mas eu não vou dizer pra você não dar coca-cola ou levar seu filho(a) no Mac Donalds, por mais que eu pessoalmente ache isso um absurdo (UM ABSURDO!). Mas também não vou ficar discutindo vegetarianismo infantil, sacumé? Cada um come o que quer e dá de comer o que tem. Eu só penso em dar coisas saudáveis, e sobretudo dar oportunidade para ela experimentar de tudo e decidir no futuro o que quer e não quer comer. Fim.

Outra pergunta é outro “ainda”: “Mas ela ainda não vai pra escolinha?

Não ela “ainda” não vai.

e emendam: “mas e você não trabalha?”

Sim, eu trabalho. “e quem fica com ela? a empregada? a babá? a vovó?”

Não, não temos empregada, nem babá. As vovós moram longe mas ajudam como e quando podem. Eu e o pai dela alternamos os horários. The end.

Entendem? São coisas que para mim não estão em discussão. Mas eis que agora a decisão não depende mais só da nossa vontade, só do nosso desejo como pais (de ficar aninhados com ela, de prover, de cuidar). Elis, a grande, tem nos dito de várias formas que precisa sair de casa e brincar com outras crianças. Quer um espaço maior, novos desafios. Ela é uma exploradora destemida. E como em Curitiba chove muito, acabamos tendo que ficar muito tempo trancados no apartamento com ela, por mais que tentemos aproveitar ao máximo os dias de sol nos parques. Nem pensar em ir a shoppings, mesmo quando estão vazios, só entro para fazer o estritamente necessário e saio correndo. Casas de amigos, bom, acaba sendo um pouco estressante, principalmente se eles não tem filhos pequenos, pois acabamos ficando o tempo inteiro evitando pequenas catástrofes com objetos que ela pode derrubar, estragar, engolir, etc. E aí que ninguém conversa e ninguém se diverte.

Então decidimos procurar uma escolinha, para ela começar a partir do ano que vem, quando estará com 1 ano e 8 meses.

Poderia ser assim simples, como foi quando eu era criança nos idos 1981 em Lages. Tinha uma escolinha só, pequena, perto de casa, e para lá fomos eu e meu irmão, e para lá foram todos os nossos amigos e vizinhos. Minha professora por dois anos foi a Tia Bernadete. Eu não era uma criança muito extrovertida. Lembro que eu gostava de desenhar, de pintar, de colar tampinhas e brincar com a areia e copinhos de iogurte. Isso, aliás, não mudou.

Mas e aqui, no ano de 2011, com mil opções, como escolher?

Então fui perguntando aqui e ali para outras mães e amigas. E o Pedro foi perguntando lá e acolá para outros pais e amigos e os nomes foram surgindo. Do meu lado, uma palavra recorrente: Waldorf.

(hã?)

Me encantei, confesso, com a proposta. Não apenas com a pedagogia em si, mas com os espaços aconchegantes, com as pessoas amigáveis e sobretudo pesou a admiração que eu tenho pelas mães que me deram a indicação. Gostei da ideia de dar oportunidade para a criança imaginar com brinquedos simples, como um toco de madeira, ao invés de um robô de plástico que vira isso e aquilo. Gostei que as crianças são alfabetizadas mais tarde porque eles priorizam o pensamento concreto numa fase em que a criança ainda não está pronta para receber conceitos abstratos. Achei ótimo que há muitos trabalhos manuais que desenvolvem a coordenação motora fina, que o lanche é natural, preparado e compartilhado com as crianças. Admiro a preocupação em não incentivar o consumismo, em não super estimular as crianças com aparelhos eletrônicos, em promover um reencontro com tudo aquilo que é natural, genuíno.

Porém, a decisão não seria só minha, mas também igualmente do Pedro. A preocupação dele desde o início era que uma escola assim funcionaria como uma bolha, um lugar onde ela estaria protegida do mundo e das pessoas diferentes daquelas poucas que compartilham da mesma ideia. Daí que resolvemos visitar várias escolas com propostas diferentes, sentir os espaços, olhar nos olhos das pessoas. É uma decisão muito delicada e muito pessoal também, de foro íntimo, como a comida, é de cada casa, é de cada família. Muitos fatores pesam, além da metodologia, que claro é muito importante: valores (sociais, ambientais), localização, preço, alimentação, condições de higiene e segurança, tamanho (nem muito grande, nem muito pequeno), espaço (se tem árvores, se tudo é de plástico ou se há outras opções como brinquedos de madeira, se as salas são aconchegantes e arejadas, se há ordem…), se a escola segue algum credo ou prega alguma religião (prefiro que não), como são as pessoas (quem vai ser a professora, como fomos atendidos pelos funcionários e pela coordenação), saúde (se tem algum convênio  para emergências médicas), se as crianças parecem calmas e felizes…

Mas sobretudo procurávamos um lugar relativamente pequeno, agradável e seguro, perto de casa, onde ela possa passar umas poucas horas por dia. Nem pensar em período integral. 4 horas no máximo está de excelente tamanho para que ela possa exercitar sua sociabilidade e se movimentar.

E aí que infelizmente as escolas Waldorf não atendem à nossa demanda. Principalmente no quesito segurança: crianças grandes brincam com crianças menores — lindo na teoria, mas na prática crianças menores são atropeladas pelos maiores. Objetos de limpeza do jardim ficam ao alcance de todos. Um FOGÃO (!!!) funciona dentro da sala com crianças de 2-3 anos (e a casa é de madeira! e eu não vi um extintor de incendio em lugar nenhum).  Além disso, vi a professora do jardim “esquecer” uma faca de serra em cima da mesinha das crianças enquanto terminava de fazer outra coisa na pia, e as crianças brincavam soltas — soltas demais pro meu gosto num jardim onde elas tem acesso a objetos pesados de madeira como um taco que parece de bets — e se um resolve tacar na cabeça do outro?  Vale lembrar que estamos falando de crianças bem pequenas, que expressam suas emoções tão bem quanto um homem das cavernas. Também vi objetos cortantes de metal, como um vasinho de alumínio todo amassado, onde qualquer um pode machucar a mão fácil fácil, até eu. Além do preço, que é caro, da localização, que vai ficar meio fora de mão, e do horário: queremos que ela estude a tarde, quando está mais disposta e ativa, e a escola Waldorf que gostamos mais só atende pela manhã e ainda assim só a partir do segundo semestre, quando ela terá 2 anos completos, e ainda assim “se tiver vaga”.

Também concordo com o Pedro, acho que a preocupação excessiva em oferecer apenas materiais não sintéticos em um mini mundo desconectado da tecnologia é meio fora da nossa própria realidade em casa. Sim temos TV, sim a Elis assiste às vezes aos DVDs do Cocoricó, dos Backyardigans e do Pocoyo. Sim, temos brinquedos de plástico. Falamos no celular, usamos muito o computador. Mas temos muitas outras coisas também, descontadas as heresias tecnológicas: gostamos de livros, de animais, de passear, de cozinhar em casa, de desenhar, de brincar, de escutar música, não somos nada consumistas mas queremos comprar bicicletas novas (vendemos as velhas) para passearmos mais juntos.

Por fim, ainda não decidimos exatamente para qual escola ela irá, mas estamos quase lá. Não vai ser Waldorf por enquanto (never say never). Mas encomendamos uma caixa de giz de cera de abelha quadradinho e um carrinho de madeira para o natal da Elis. Assim teremos um pouco mais de Waldorf em casa, já que muitos dos outros valores já compartilhamos de todo modo.

Para as outras mães, se me pedirem conselhos sobre escolas, vou responder: sigam seus próprios instintos, visitem várias, mas tomem as rédeas da educação de seus filhos, não terceirizem, não deleguem, passem o máximo de tempo com eles. É o que vale.

Beijo e até.

n.


tanto tempo sem escrever aqui… nao foi por falta de assunto ou vontade, mas porque qualifiquei a dissertação no dia 26 de maio (ufa!) agora, de volta à casa, e depois de colocar um pouco de ordem no caos, elis resolveu que quase nao dorme mais de dia, aí fica quase impossível parar, mas hoje finalmente consegui um tempo para escrever sossegada. então começo logo pelas fotos, que são muitas, depois, se ainda estiverem aí, segue um textinho.

com o coelhinho da páscoa

passeando com a vovó

com o amiguinho ricardo

bolacha cream cracker

punk

o peixe morre pela boca

família

vovó, papai e tia ellen

pantalon xeans

:)

dariz escorrendo

micro cosmos

o monstro chubby chubby

ziper é gostoso né?

cabaninha

grama

assistindo o cocoricó

aprendendo a comer sozinha ( e fazendo MUITA sujeira)

prendedor de roupa é o melhor brinquedo

grazi,  joao pedro e  vovó

mamae e elis

super baby

Então, Elis está linda, toda crescida e mocinha. 8,450kg e 72cm, bem no meio da curvinha verdinha. Hoje amanheceu falante “liroliroliroliro totototo dolidulidolidu” e agora aprendeu a mostrar a língua também. Damos muitas risadas com cada novidade. Os dias, no entanto, são longos e cansativos. Ela acorda lá pelas 7:30 da manhã, aí é trocar fralda, dar mamá, mais fralda suja (agora bem suja), fazer suquinho, passear na grama (quando há grama, e um pouco de sol), amassar frutinha, brincar, e enfim, lá pelas onze horas: tirar uma sonequinha — ela, claro, porque eu aproveito para lavar a roupa, limpar todo o chão da casa, fazer o almoço, ler e-mails (cada vez mais escassos.. o que pode ser bom ou ruim, conforme se analisa o fato), até que ela acorda e começa outra maratona: almoço, louça, mais fraldas, mais roupas sujas, mais brincadeiras (hoje a diversão foi tirar todos os sapatos do papai do armário), um pouco de cocoricó no cercadinho pra mamãe fazer xixi, e bora passear de novo, opa! não tem elevador, desce o carrinho, depois desce o neném, mais frutinhas, água, suco, será que vai dormir de novo? ufa! dormiu. sobe o neném, depois sobe o carrinho. aí aproveito para escrever aqui, antes da janta, do banho, do outro mamá e enfim…. zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz…. lá pelas 8:30 ela engata o sono outra vez, até de manhã (com uma ou duas acordadinhas básicas, só pra eu pegar ela no colo e colocar de volta no berço, nada de mais).

aff

cansa.

tanto que estou mais magra do que quando engravidei. já estou quase tendo que ajustar as calças 38. só nao ajustei ainda porque já estou com vergonha de ir na costureira toda semana reclamando que a calça ainda está larga.

está com inveja? quer emagrecer? venha aqui em casa e passe treze horas por dia correndo atrás de um bebê e varrendo o chão. spa grátis, só não inclui a manicure.


faxinando

15jun11

bom, agora que lavar roupa e limpar o chão deixou de ser um privilegio da minha diarista, tenho que compartilhar duas dicas com a humanidade:

1.”lave sem medo”, dica da Brenda, é um paninho que a gente coloca na maquina de lavar e dá pra lavar todas as roupinhas coloridas junto com as brancas. FUNCIONA.

2. o rodinho com o refil descartável… SENSACIONAL.

obrigada hiperclean



Esse post, assim como aquele outro da gravidez, é inspirado em Diane Arbus, uma das fotógrafas que entraram no buraco sem fundo das análises da minha dissertação.

Dia desses, pesquisando na internet, encontrei por acaso algumas palavras que ela escreveu a Alfred Stieglitz, pouco depois do nascimento da sua primeira filha, Doon. (que eu nao vou traduzir, não só por preguiça e falta de tempo, mas porque fica melhor no original)

“Our baby is a girl…curious and even a little funny. I simply stare at her. I expected to feel a deep recognition but I don’t. She isn’t like either of us but lovely: very alive with very beautiful shoulders. I love our lack of connection: that she doesn’t feel anything towards me and i feel such an odd, separate way about her.

I expected great changes (first, I expected it from pregnancy, then when it didn’t come, I expected it from birth), but I’m glad I didn’t change or at least feel changed. I trust myself better as I am. It was very simple–I have forgotten most of the bad part because of the anesthetic–but I still know it was simple. I guess events are always simpler than people – which is good.”

–letter from Diane Arbus to Alfred Stieglitz, 1945

Porque eu também esperava “great changes”, esperava, eu poderia até dizer, anunciava, uma outra pessoa em quem deveria me tornar depois da gravidez, ou do seu nascimento. Esperava um amor instantâneo, um reconhecimento mútuo, mas éramos como duas estranhas (suspeito que ela me conhecia melhor) e isso veio bem devagar. E o mais surpreendente é que eu ainda estou aqui, eu não morri, nem nasci outra vez. Eu ainda sou eu e agora sou também mãe da Elis. Tenho mais para dar e ainda sou do mesmo tamanho, o que é estranho: onde estava escondida toda a minha força?

Do que mudou posso dizer que vida se tornou mais simples em alguns aspectos. Sinto, por exemplo, que me preocupo menos em me afirmar e me definir. Dou mais valor ao tempo (nao o do relógio, mas o do aqui e agora) e acho o espetacular em coisas muito pequenas. Sei também que para sempre o meu bem estar dependerá inteiramente (ainda que não exclusivamente) do bem estar dela e que, mesmo que ela esteja a milhares de quilômetros de distância de mim, eu nunca deixarei de ouvir o seu coraçãozinho bater.


220W

22abr11

Quinto dia de resfriado. Ainda bem que é só o nariz que não para de escorrer (transparente, ufa), mas olha que a bichinha sofre bastante com isso. De resto está aparentemente super bem, brincando bastante, até demais. Incrível a rapidez com que ela se levanta e fica em pé. Hoje ficou uma hora e meia levantando da cama, ao invés de dormir ela se virava e ficava em pé no berço, eu a deitava de novo, e assim foram umas 3497 vezes, até ela ficar literalmente caindo de sono, mas não queria se entregar de jeito nenhum!!
Acho que ela puxou a tia-madrinha que é ligada no 220W
O papai e a mamãe eu tenho certeza que não tem nada com isso: adoramos dormir!